O que torna a hipnose tão eficaz? A hipnose como acelerador
Por Roberto Botelho
A hipnoterapia não é só mais uma técnica — é um acelerador de terapias. Entenda por que ela encurta processos e o que a ciência mostra sobre isso.
A hipnoterapia vem ganhando cada vez mais destaque no cenário terapêutico — não apenas como uma técnica isolada, mas como um acelerador capaz de potencializar diferentes abordagens psicoterapêuticas. É comum ouvirmos, dentro da hipnose, que a hipnoterapia não é uma abordagem terapêutica, mas sim um acelerador de terapias. E, de fato, é isso mesmo. O que faz a hipnose acelerar a terapia não é o estado de transe em si, mas os potenciais fenomenológicos que ela proporciona.
"Mas o Freud não abandonou a hipnose?"
Como hipnólogo, não é difícil ouvir a antiga história de que Freud abandonou a hipnose. Porém, o que muitos que afirmam isso não sabem é que a forma como Freud usava a hipnose na época é muito diferente da forma como a usamos hoje. Inclusive, temos métodos atuais de hipnoterapia que são frutos do desenvolvimento do trabalho de Freud — como a hipnoanálise desenvolvida por Watkins, que é uma forma de regressão de memória.
Enquanto muitos profissionais que ainda não conhecem bem a hipnose acabam por desconsiderá-la, diversos grandes nomes criadores de abordagens da psicologia se apoiaram inicialmente nela para desenvolver seus trabalhos: Breuer, Freud, Carl Jung, Skinner, Wolpe, Pavlov, Charcot, William James, Hans Eysenck, Pierre Janet, Sándor Ferenczi, Albert Ellis, Clark Hull, entre outros.
O que a evidência mostra
Hoje, por meio de artigos robustos de meta-análise, sabemos dos diversos benefícios que a hipnose traz para o sucesso do processo terapêutico, fazendo com que muitos movimentos terapêuticos aconteçam de forma muito mais rápida, sem a necessidade de um processo tão longo.
No Brasil, diversos conselhos de classe regulamentam e indicam o uso da hipnose na prática — Psicologia, Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Odontologia, entre outros —, o que dá à hipnose pleno reconhecimento no meio acadêmico, além de muitas evidências e comprovações por meio de artigos e experimentos.
Joseph Wolpe, criador da clássica técnica da dessensibilização sistemática, na década de 50 usava hipnose dentro da técnica e obtinha muito sucesso, graças à grande alteração fisiológica que a hipnose promove. (Ele acabou afastando a hipnose dos estudos por questões de escalabilidade e pela possível associação, na época, com a ideia de placebo ou sugestão.)
Por que a hipnose encurta o caminho
A hipnoterapia não encurta um processo terapêutico porque "corta caminho", mas porque permite usar caminhos diferentes dentro do processo — caminhos que, fora da hipnose, dificilmente conseguiríamos acessar. Com ela, conseguimos gerar experiências alteradas de realidade, além de manejar e controlar a fisiologia e alguns processos involuntários do corpo do cliente, assim como processos cognitivos mais automáticos.
Na prática, com a hipnose conseguimos:
- Ativar ou desativar partes diferentes da experiência;
- Acessar memórias sem o conteúdo emocional;
- Gerar novos condicionamentos de forma rápida;
- Criar realidades por meio de alucinações que servem para terapia de exposição;
- E, principalmente, manejar os estados do corpo — causando uma alteração muito forte na fisiologia e no estado do cliente.
Isso torna a hipnose muito eficiente para qualquer terapia que envolva exposição e dessensibilização. Ao termos facilidade em alterar a fisiologia, gerar experiências e acessar associações, acabamos encurtando — e muito — processos terapêuticos de diversos tipos: principalmente a TCC com abordagens expositivas, mas também a Gestalt-terapia, a psicanálise, a terapia do esquema, a terapia corporal e várias outras.
O que muda para quem atende
Ao passar a usar sua abordagem terapêutica em conjunto com a hipnose, além de resultados mais rápidos e consistentes, você também verá menos resistência, terá mais confiança e passará a usar os recursos e potenciais internos do seu cliente de forma mais criativa e personalizada.
Perguntas frequentes
A hipnose é reconhecida cientificamente?
Sim. Há meta-análises mostrando seus benefícios como acelerador terapêutico, e no Brasil diversos conselhos de classe (Psicologia, Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Odontologia) reconhecem e indicam seu uso.
Freud não abandonou a hipnose?
Freud usava uma forma de hipnose muito diferente da atual. Métodos modernos de hipnoterapia, inclusive, nasceram do desenvolvimento do trabalho dele.
A hipnose funciona com qualquer abordagem terapêutica?
Ela potencializa especialmente terapias que envolvem exposição e dessensibilização (como a TCC expositiva), mas pode acelerar processos em várias abordagens ao trabalhar diretamente na fisiologia e nos automatismos do cliente.
Hipnoterapia "corta caminho"?
Não no sentido de pular etapas. Ela abre caminhos que, fora do transe, seriam difíceis de acessar — e é isso que encurta o processo.
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