Terapia Breve Centrada na Solução: pare de cavar o passado
Por Roberto Botelho
Regressão à causa é potente, mas cansa o terapeuta. Conheça a virada da Terapia Breve Centrada na Solução com hipnose: do trauma para o potencial.
Qualquer um que já teve contato real com a hipnose sabe o grande potencial que ela tem para alterar a experiência das pessoas. E, para a maioria dos hipnoterapeutas, a primeira e mais importante ferramenta que utilizam é a regressão à causa.
A regressão, de fato, é uma ferramenta incrível, e o seu sucesso costuma ser atribuído a ideias como "resolver a causa" e "acessar a raiz dos problemas". É inegável a funcionalidade e o valor de uma regressão à causa bem aplicada em muitos casos. E, apesar das controvérsias e dos problemas que a maioria dos hipnoterapeutas já está cansada de ouvir, hoje eu venho trazer alguns pontos que podem revolucionar a sua prática clínica.
O preço de trabalhar orientado ao problema
É comum querermos saber o "porquê" reagimos de tal forma. Só que, assim, ficamos presos a consertar um passado que, por algum motivo, mereceria ser tratado. Muitas vezes esquecemos que estamos sempre mudando, e que muitos problemas do passado foram resolvidos naturalmente pelo nosso próprio potencial interno.
Se você é hipnoterapeuta como eu, sabe que lidamos com traumas terríveis dos nossos clientes, e é praticamente inevitável não sermos tocados ou abalados de alguma forma pelas histórias de vida que passam pela gente. Por mais que sejamos treinados e saibamos separar as coisas, trabalhar orientado para o problema, para o trauma, para consertar um passado, é um trabalho pesado e doloroso em algum nível.
Um trabalho orientado para o passado e para o problema acaba sendo um processo em que passamos a sessão inteira falando sobre o que está errado e sobre o que é (ou foi) ruim. Os clientes apresentam resistências e sentem desconforto ao acessar conteúdos e partes suas dolorosas, ao "desenterrar o passado". Você já se perguntou se a sua abordagem terapêutica está drenando você?
E se você olhasse para o potencial?
Mas e se, em vez de buscar a arqueologia — a causa de um problema —, você passasse a focar nos potenciais e naquilo que existe de bom e positivo dentro dos seus clientes? Estamos tão focados no trauma e no problema que esquecemos do que existe de mais importante dentro de nós.
Tanto a hipnose ericksoniana quanto a Terapia Breve Centrada na Solução podem ajudar a lidar com essas questões e revolucionar a sua forma de fazer hipnoterapia. Muitas vezes esquecemos o real potencial que a hipnose tem para alterar as nossas experiências, e deixamos de lado o que a hipnose e o transe fazem de melhor: trazer à tona e mobilizar os nossos recursos internos, permitindo que a gente se reestruture como pessoa.
Em vez de querer consertar um passado, podemos evocar potenciais do cliente e nos orientar para a construção de um futuro mais positivo e autêntico — em que a pessoa está mais inteira, em vez de falarmos sobre as suas partes perdidas ou quebradas.
A virada nas perguntas
- Em vez de perguntar sobre a causa, perguntamos: "Como seria se fosse diferente?"
- Em vez de perguntar sobre o pior, perguntamos sobre aquilo que ajudaria a lidar de forma diferente.
- Em vez de falar sobre a insegurança, trazemos confiança e segurança ao cliente para lidar com a sua questão.
Ao mudar a abordagem, a experiência do cliente muda drasticamente. É possível ter atendimentos que falam sobre os sucessos passados das pessoas, sobre as conquistas, os hobbies, aquilo que elas fazem de melhor, as esperanças, os motivadores — e sair do atendimento feliz por ter ajudado alguém a despertar aquela parte de si que estava há tanto tempo escondida.
Esse sentimento de competência e capacidade faz o cliente querer voltar na próxima sessão — não por dependência, nem porque a sessão foi pesada demais, mas por se sentir empoderado e ansioso para compartilhar as pequenas mudanças positivas que já começaram a acontecer.
O que muda para você, terapeuta
Ao adotar uma abordagem centrada na solução, a sua vida profissional se transforma:
- Sessões mais leves. Você deixa de ser um "detetive de traumas" e vira um "facilitador de futuros". As conversas passam a ser sobre esperança, possibilidades e recursos.
- Menos estresse. Ao focar no potencial e na solução, você termina o dia mais leve. Você não "compra" o problema do cliente — você se torna parte da solução, o que é energizante, não drenante.
- Mais eficiência. Você se surpreende com a rapidez das mudanças quando o foco está no "como" construir o futuro, e não no "porquê" o passado foi como foi.
- Clientes mais engajados. Cliente empoderado é cliente engajado — o que traz resultados mais rápidos e mais indicações para você.
Trabalhar com regressão é como ser um arqueólogo: um trabalho importante, mas lento, pesado e focado no que já passou. Trabalhar com a Terapia Breve Centrada na Solução e hipnose é como ser um arquiteto ou engenheiro: você usa os materiais que o cliente já tem (os recursos dele), projeta com ele a "casa dos sonhos" (o futuro desejado) e usa a hipnose para construir a fundação dessa nova realidade.
A pergunta para você, hipnoterapeuta, é: você quer continuar cavando o passado, ou começar a construir um futuro positivo para a sua vida e a dos seus clientes?
Perguntas frequentes
O que é a Terapia Breve Centrada na Solução?
É uma abordagem que foca nos recursos, nas exceções e no futuro desejado do cliente — em vez de investigar a causa do problema. Combinada com hipnose, mobiliza o potencial interno da pessoa para construir a mudança.
A regressão à causa deixa de ser útil?
Não. A regressão bem aplicada tem valor real. O ponto é que ela não precisa ser o único caminho — e um trabalho só orientado ao problema costuma ser mais lento e mais desgastante para o terapeuta.
Focar na solução não é "ignorar" o problema do cliente?
Não. É escolher por onde mobilizar a mudança: pelos recursos que a pessoa já tem, em vez de reviver o problema. Muitas vezes é o caminho mais rápido e menos doloroso para o mesmo resultado.
Aprenda a promover mudanças positivas e duradouras com a hipnose conversacional no meu curso de Hipnose Conversacional e Changework.
Conhecer o curso